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Chamada Revista Porto das Letras - A3 - 01/06/2023

Publicado: Terça, 03 de Janeiro de 2023, 21h38 | Última atualização em Terça, 03 de Janeiro de 2023, 21h39 | Acessos: 43

Número Especial : Instrumentos Linguísticos

Organização: Thaís de Araujo da Costa (UERJ), Rogério Modesto (UESC), José Edicarlos de Aquino (UFT)

Período de submissão: até 1 de junho de 2023

Previsão de publicação: agosto de 2023

Ciência e tecnologia são quase exclusivamente associadas às áreas da computação, engenharia, medicina e físico-química. Contudo, há séculos, e antes daquelas, as ciências da linguagem têm desenvolvido ferramentas tecnológicas, raramente percebidas enquanto tais, mas, em todo caso, fundamentais para a forma como nos organizamos como sociedade e produzimos conhecimento científico. São elas, por exemplo, a escrita, a gramática, o dicionário, o glossário, a enciclopédia, o livro didático, o atlas linguístico e, mais recentemente, os programas de processamento de voz e de textos, entre muitos outros. É pelo viés da História das Ideias Linguísticas (HIL) que tais ferramentas são consideradas instrumentos tecnológicos, ou mais precisamente, instrumentos linguísticos. O conceito de instrumento linguístico tem sido (re)trabalhado por diversos pesquisadores da HIL desde que foi inicialmente mobilizado por Sylvain Auroux (1992, p. 69), com o sentido de um artefato que “prolonga a fala natural e dá acesso a um corpo de regras e de formas que não figuram junto na competência de um mesmo locutor”. Um instrumento linguístico é, assim, definido como objeto discursivo (Collinot, Mazière, 1997), objeto histórico (ORLANDI, 2001), objeto técnico-cultural e sócio-histórico (Colombat, Fournier, Puech, 2010), objeto cultural e técnico-histórico (Medeiros, ESTEVES, 2020), objeto gendrado (Zoppi Fontana, 2017) e objeto racializado (Modesto, 2022). O princípio básico é de que os instrumentos linguísticos apresentam uma dimensão técnica (não são feitos de qualquer maneira) e uma dimensão político-histórica (não são feitos sem razão e de forma neutra) (AQUINO, 2020). Além disso, inspirando-se em Auroux, novas categorias vêm sendo propostas para alargar a compreensão de instrumentos linguísticos. Fala-se, assim, de instrumentos de jurisdição da língua (ORLANDI, 2001), instrumentos glotopolíticos (ARNOUX, 2008), meta-instrumentos linguísticos (GUIMARÃES, 2014), instrumentos linguísticos de metassaberes (ESTEVES, 2014), des-instrumentos linguísticos (FERREIRA, 2020) e instrumentos linguístico-jurídicos (GONÇALVES, ZOPPI FONTANA, 2021). Longe de apenas descrever ou representar a atividade linguística dos falantes, os instrumentos linguísticos são fábricas de línguas (AUROUX, Mazière, 2006), empregados geralmente como tecnologias de gerenciamento do espaço urbano (RODRÍGUEZ-ALCALÁ, 2011). Dessa forma, eles atuam na construção do efeito imaginário da unidade linguística (Pfeiffer, 2007) e, finalmente, na evidência da ideia de que os seres humanos falam – esta(s) ou aquela(s) língua(s). Nenhum sujeito escapa, portanto, à introdução dessas tecnologias em um dado espaço. Para dizer de forma simples, as ferramentas tecnológicas da linguagem não apenas recortam e hierarquizam falares, determinando o que é ou não a língua, mas também ordenam e classificam os falantes. Dito isso, o escopo deste número especial da revista Porto das Letras é o mapeamento e a análise dos mais diversos instrumentos linguísticos. O intento é o de reunir textos que discutam a produção e emprego dos instrumentos linguísticos nas mais diferentes áreas e atividades sociais, abordando seus aspectos técnicos, teóricos, políticos e ideológicos e suas implicações para os sujeitos, as línguas e o conhecimento linguístico.

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Editores-Chefe

Carlos Roberto Ludwig

Thiago Barbosa Soares

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